terça-feira, 29 de julho de 2008

O alarmante Documento 264

publicado em 9 de julho de 2008 Deva Mantovani ( Jornal A Tribuna MT)
link: http://www.atribunamt.com.br/?p=19545
Nascemos, crescemos e ficamos mais altos e mais fortes do que nossos pais, a base de vitaminas e suplementos lácteos que nossas mães colocaram em nossas mamadeiras. Parece simples, porém alguns médicos e céticos ainda relutam quanto a fundamental importância da suplementação com vitaminas, proteínas e minerais em nossa alimentação.
Um problema, pela primeira vez apontado em 1936 e discutido no Senado Norte Americano, detectava que o plantio intensivo de alimentos levava ao empobrecimento e perda de suas características naturais. Era o famoso “Documento 264”. O Dr. Joel Wallach, indicado para o prêmio Nobel em 1991, lembra que muitas propriedades da maioria dos legumes, frutas e verduras simplesmente desapareceram e que não conseguiremos ingerir os padrões mínimos recomendados pela OMS de alguns nutrientes, não importando o quanto as comemos.
Atualmente a lavoura é intensiva e os fazendeiros não dão ao solo o tempo necessário para a reposição dos nutrientes essenciais ao homem. Para agravar, o adubo utilizado repõe apenas aquilo que interessa à aparência do vegetal e ao lucro do agricultor. Uma cenoura grande e bonita ou uma “super” maçã tem valores nutricionais incrivelmente desproporcionais a seus tamanhos. Os fertilizantes modernos são constituídos apenas de nitratos, fosfatos e potássio (NPK), por questões de custos. Minerais como selênio, iodo, cromo, cobalto, níquel, flúor - que originalmente estavam presentes nos vegetais - não são incluídos na formulação dos fertilizantes e criam vegetais nutricionalmente deficientes.
Devido ao delicado e sensível equilíbrio do nosso organismo, adoecemos e temos as mais variadas disfunções orgânicas, pela simples ausência de um destes minerais na alimentação. Muitos tratamentos preventivos para doenças graves, têm causado fervor no mundo científico, quase sempre como uma reedição deste mesmo tema. A falta de selênio no organismo causa envelhecimento prematuro, assunto muito presente em pautas atuais. Citamos que as únicas fontes consideráveis do mineral selênio hoje, são a Castanha do Pará e uma planta que cresce somente no Deserto de Negev em Israel. Bem eu, como a grande maioria da população, nunca estive em Israel nem tampouco me recordo da última vez que comi Castanha-do-Pará, se é que já comi.
Uma forma simples de solucionar estas carências são os Multiminerais e Multivitamínicos. Eles estão presentes em nossa alimentação cotidiana desde nossa tenra infância e não devem ser nunca abandonados. Eles agem preventivamente fornecendo doses mínimas ideais de cada uma das substâncias essenciais à saúde. Hoje somos dependentes deles como um “antídoto do mundo atual”, dizem alguns. Atletas devem dar especial atenção ao problema na busca de suas performances. Tentar obter uma dieta com todos os nutrientes necessários é simplesmente impossível, como defendem alguns poucos conservadores. Teríamos que levar uma vida inteiramente dedicada à alimentação, freqüentando as feiras diariamente, checando a origem e valor nutricional real de cada alimento e buscando uma variedade de ingredientes inimaginável, incluindo frutas e animais silvestres. Quem se habilita?

Estamos de volta.

Devido a mudança, fiquei algum tempo sem postar, porém já estamos voltando a ativa.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Biocombustíveis

É muito interessante acompanharmos os jogos de cenas nas relações internacionais. Os países ricos quase sempre são os autores dos ``scripts`` e todos devem seguir diligentemente os mesmos, sendo que, se algum figurante ousar tentar aparecer além do que já estava previsto, será sumariamente excluído do ``set``.
Pois bem, no caso dos biocombustíveis, o ``script`` já estava pronto, o espetáculo já em andamento, os atores principais com as falas decoradas e dando as ``deixas`` para os co-adjuvantes, pouco acostumados aos holofotes, terem seus minutos de glória. Seria um grande sucesso de bilheteria. Os países ricos representando, como atores principais, os interesses ecológicos e o progresso da humanidade, defenderiam ardentemente, o uso do álcool combustível, do biodíesel, de energias renováveis, etc, etc... Já os países em desenvolvimento, co-adjuvantes, seriam os soldados desta luta, combatendo a poluição, dando provas de que o trabalho degradante estaria sendo combatido e gerando muitas oportunidades de novos negócios para um futuro mundo igualitário. E quiçá, num ``gran finale``, um ou dois destes atores seriam promovidos a astros dos próximos espetáculos, com direito a participar da elaboração de novos ``scripts``. Existem também os países pobres, os figurantes. Bem eles teriam que desempenhar seu papel de sempre: preencher o cenário, e fazer cara de aprovação á tudo que for dito, e vez por outra ser empurrado por um soldado, quando da passagem de alguém importante em meio a alguma manifestação. Estava tudo conforme o que fora ensaiado. Uma beleza!
Mas eis que de repente entram em cena novos elementos: crise financeira americana, alta exorbitante do petróleo, queda do dólar, que leva a uma provável falta de alimento. Começa então a confusão, e o ``script`` tem que ser re-escrito. O tema ecológico já não é mais tão importante, a falta de alimento sim. E é até lógico que seja, já que entre morrer de fome no futuro devido a problemas ecológicos ou morrer de fome agora por falta de alimento a escolha é óbvia. Mas todos os atores principais gostam de fazer o papel de mocinho, salvadores do universo, super-heróis, eles jamais poderiam ser os causadores da fome, da tragédia. Eles são mocinhos, não bandidos. E além do mais, o roteiro é deles, são eles que escrevem, e como num passe de mágica, num momento de profunda inspiração criadora dá-se a solução: Vocês lembram do grande milagre? Os biocombustíveis? Pois bem, era só um disfarce. Na verdade era um lobo em pele de cordeiro, tinha enganado nossos heróis por algum tempo, mas como sempre nossos heróis em suas genialidades logo sacaram: aí está o mal. É ele a origem do problema. Vamos ataca-lo por todos os lados e vamos derrota-lo. Ah! E sabe aqueles co-adjuvantes que iriam passar para o grupo dos atores principais? Eles pagarão o prejuízo pelo atraso do espetáculo. Não importa se a produção de grãos subiu 3,6% este ano, e a previsão para o próximo seja semelhante. Não importa se, com todos os fatores adversos, e só com a própria competência consegue manter os preços dos alimentos em patamares parecidos, e que foi o dólar que se desvalorizou e, portanto é o dinheiro deles que não compra mais o que se comprava antes. O que realmente importa é que o culpado apareça, afinal sem bandido não existe mocinho, e não será um ator co-adjuvante, com sua excepcional produção de alimentos que será o mocinho, e não serão os atores principais com seus subsídios que serão os bandidos. Este papel não foi escrito para ele. O co-adjuvante será o bandido e pronto. Ele tem a obrigação de alimentar o mundo inteiro, mesmo que seja pela força. Opa! Pela força? Acho que já vi este filme antes.
Deva Mantovani