quinta-feira, 27 de março de 2008

Não fique chateado se lhe chamarem de rato.

Pois é! Acabei de ler um artigo, publicado um em jornal científico britânico, que pesquisadores da Universidade College London e a Universidade de Oxford, descobriram que ratos possuem capacidade de pensamento abstrato. E mais, aprendem e passam a usar tal aprendizado na execução de tarefas posteriores. Tais qualidades, segundo os pesquisadores, até então só era percebidas nos seres humanos.
Fiquei muito assustado com tal descoberta, e um pouco humilhado, devo confessar. Não por mim, mas pelos nossos ratinhos Brazucas, que como todos nós sabemos não tem estas mesmas habilidades dos ratos ingleses. E foi aí que entendi por que o Jerry sempre leva vantagem nas disputas com o Tom. Pudera, um simples gato não tem a mínima chance frente ao brilhantismo de um rato, que apesar de americano, desconfio ter descendido de um inteligente rato inglês.
Pois bem, sabendo deste fato, passo a me preocupar, pois já pensaram se num dia desses um destes ratos tiver um surto revolucionário, e resolver liderar os seus na luta pelo queijo que lhes é de direito? E se de repente, hastearem suas pequenas bandeiras vermelhas e invadirem os campos reivindicando sua terra e o que nelas se produz, visto que, revolucionários que são, pregam a distribuição da produção e da renda, não importando quem trabalhou para produzir?Fico pensando: Não há nada de mais útil, e sério para ser pesquisado? E pior - a ciência virou piada, pessoas deturpam resultados apenas para garantir verbas para suas ``pesquisas``. E sabemos que isso não se restringe a coisas totalmente inúteis como esta. Esta mesma lógica é aplicada em áreas mais perigosas, como medicina e química, onde erros, ou más intenções podem custar vidas humanas, que no caso podem, sim, ser comparadas a cobaias, ou em outras palavras: Estamos realmente, sendo tratados como ratos, de laboratório, porém, ratos.
Deva Mantovani

terça-feira, 18 de março de 2008

Parabéns São José do Rio Preto!

Num dia desses, de belo entardecer, parei o carro, ali, próximo ao Condomínio Damha e fiquei a admirar (como a muitos anos não fazia) a paisagem urbana ao meu redor. Sorri sozinho, imaginando o que teria escrito em seu diário o Visconde de Taunay se tivesse pernoitado nestas paragens hoje, e não em 1867. Será que hoje, algum viajante que passe por Rio Preto, acreditaria que em 1867 alguém tivesse descrito este lugar como o mais miseráveis dos lugares? - Creio que não. Porém, é bem possível que o era, como relatou o já referido Visconde, em sua passagem por aqui de retorno da Guerra do Paraguai.
E sabemos que tal situação só foi alterada em 1912, com a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense.
Fito o horizonte em todas as direções e vejo em cada canto (cada um com suas características) uma cidade bonita, rica e de gente empreendedora, trabalhadora e ávida por uma vida de qualidade; e penso que tenha sido estas qualidades que levaram esta cidade a tanto progresso em tão pouco tempo. E quando falo em progresso não o estou fazendo de maneira comparativa, pois uma cidade com IDH acima de 0.8, com saneamento e calçamento em aproximadamente 99% das localidades, renda ``per capita``comparável a países europeus, e que deve alcançar 100% de esgoto tratado ainda este ano, não pode ser simplesmente comparada a outras cidades e sim servir de modelo para aqueles que ainda não alcançaram tal desenvolvimento. Porém, com o espírito ``caipira`` que sempre nos moveu, vamos continuar madrugando, pois como diz o ditado: -`` Deus ajuda quem cedo madruda``, e o povo Rio Pretense sempre foi madrugador. Parabéns Rio Preto.
Deva Mantovani (para Informativo Viva-Voz)

quinta-feira, 13 de março de 2008

Centenário da Imigração Japonesa no Brasil‏.

Texto recebido do grande amigo Yukio, com quem tive o prazer de trabalhar e conviver por longos anos, lá em Nagano-ken, Japão.
``No ano das festividades do centenário da imigração japonesa noBrasil, as colônias japonesas já estão em festas. Bom, o quesignifica cem anos? Significa muito, significa no mínimo quatrogerações, ou seja, já estamos nos yonseis. Então fica a pergunta, Oque é ser "japonês" para nós que já somos até da quarta geração? Equal seria a importância dessa comemoração para nós? Recentemente,assisti a minissérie (Haru e Natsu:As cartas que não chegaram),transmitida a poucos dias atrás pela bandeirantes. Fugindo da pobreza,uma família parte para trabalhar no Brasil. A idéia era ganhardinheiro e em poucos anos voltar para o Japão, onde avó e filha maisnova ficaram. Esta família estaria nas últimas levas migratóriaspromovidas pelos governos do Japão e do Brasil; entre 1925 e 1934,mais de 120 mil japoneses chegaram ao Brasil. Em 1934, o Estado Novode Getúlio Vargas restringe drasticamente a entrada de estrangeiros nopaís. Logo depois, com a II Guerra Mundial, a possibilidade de retornodiminui e os japoneses fixam-se definitivamente no Brasil. Será que aguerra foi apenas um pretexto? Algumas famílias, sem dúvida,conseguiram prosperar com fazendas, comércio, ou pequenas indústrias,elas largariam tudo no Brasil para voltar? Outras famílias, a maioria,estavam trabalhando quase como escravas nas fazendas de café e algodãode São Paulo e não enriqueceram. Envergonhadas, voltariam? De um jeitoou de outro, ficamos. Coitados dos que não prosperam aqui,aposentaram-se na lavoura e hoje recebem e sobrevivem com o benefíciomínimo do INSS.Neto de japoneses, sou sansei, o que resta de japonês em mim? Umsansei pode falar como sendo um japonês? Ler as revistas daSeicho-no-ie, fazer alguns origamis, comer sushi usando hashi eassistir anime, um monte de brasileiros também faz. Jogar um pouco deshogi e hanafuda, usar mimikaki no lugar do cotonete, saber usar osoroban (ábaco), dormir em futon, comer nattô e depois percebo oquanto é difícil falar japonês. Hoje, sansei que domina o japonês épra poucos... Então, sou japonês?Em 2008, também poderíamos comemorar20 anos (aproximadamente) da emigração de (dekassegis/nikkeis)brasileiros no Japão. A partir do final da década de 1980, nisei,sansei e yonsei começaram a "retornar" ao Japão com as mesmasintenções de seus ancestrais para trabalhar, enriquecer e voltar. Ahistória está se repetindo às avessas? Estamos fechando um "ciclo"?Somos fisicamente parecidos com os japoneses, a cultura japonesa nãonos é totalmente estranha, mas mesmo assim, lá somosgaijin's(estranhos/estrangeiros) E no Japão os trabalhos ao qual somosimpostos são os trabalhos 5K's: Kitanai (sujo), Kiken (perigoso) eKitsui (penoso), Kibishii (exigente) e Kirai (detestável). Por que?Porque o Japão do século XXI parece com o Brasil do início do séculoXX. O Brasil é a terra dos imigrantes, sempre. Já o Japão nunca haviarecebido tantos imigrantes antes dessa onda migratória de dekasseguis:já são mais de 250 mil lá! Será que em uma ou duas gerações, os"brasileiros" no Japão serão reconhecidos e valorizados assim como acolônia "japonesa" é no Brasil no século XXI? Nossos avós sofrerambastante no início do século XX logo que chegaram ao Brasil:preconceito, dificuldades de adaptação ao clima, à alimentação, etc.Graças ao sucesso de algumas (não todas) famílias, hoje é mais "fácil"ser japonês no Brasil. Temos orgulho de nossas origens e comemoraremoso centenário da imigração. Mas lá no fundo... Coração brasileiro oujaponês? Brasileiro, né? Comemoraremos então o centenário pelo simplesfato da colônia japonesa ter adquirido um direito moral aqui. E lá, osbrasileiros terão o que comemorar nos seus 20, 30, 40,...,100 anos deimigração? Difícil de prever, esperaremos pra ver...
um grande abraço!
--YAMANO, Sandro Y.sandroyamano@gmail.com``